Tem dias em que fico imaginando como teria sido mais fácil a minha vida de estudante se naquela época existisse a internet e o Google. Quando os professores pediam um trabalho eu pegava o ônibus e ia à Biblioteca Municipal copiar textos em papel almaço para depois passar a limpo em casa.
Um trabalhão.
Não passava pela minha cabeça a possibilidade de ter um aparelho que respondesse a todas as perguntas possíveis e, de quebra, tocasse músicas e passasse filmes, até aqueles proibidos para menores. Mas eu sabia que na Roma antiga os ricos tinham escravos gregos fazendo as vezes do Google.
Pois a coisa foi acontecendo e hoje a "ficção científica" tornou-se realidade. O intervalo de tempo decorrido entre o surgimento dos computadores pessoais e o que temos hoje foi de aproximadamente 35 anos. E, acreditem, estamos no limiar de grandes descobertas, o grafeno logo estará substituindo o silício como matéria básica de processadores, cuja capacidade de trabalho crescerá exponencialmente.
É quase impossível imaginar o que virá, os fios elétricos serão substituídos por nanotubos de carbono de baixíssima resistência elétrica, facilitando a transmissão de energia e o desenvolvimento de baterias que proporcionarão a criação de veículos não poluentes de grande autonomia.
Vamos voltar 50 anos no tempo. Ok? Então tá. Estamos em 1960. Nada de telefones celulares, internet, computadores, nem mesmo calculadoras eletrônicas. Tudo é manual e mecânico. A fotografia existe, mas é caríssima, câmeras, filmes e revelações são brinquedinhos de ricos, passam longe do uso popular.
Os carros usam carburadores que precisam de constantes limpezas e regulagens. A vantagem é que as ruas são vazias e as estradas também, quem tem carro viaja tranquilo, apesar dos pneus longitudinais serem pouco confiáveis.
Pense agora num conflito bélico entre uma nação de 1960 e uma dos dias atuais, com toda a parafernália digital de hoje. Não haveria como começar, seria um massacre. Em apenas 50 anos a tecnologia mudou completamente o panorama da vida, hoje vivemos mais e melhor, apesar dos erros cometidos contra o meio ambiente. Com o avanço tecnológico avassalador que há, dá para prever que daqui a 50 anos estaremos em outro limiar do conhecimento e os dias de hoje serão motivo de mera curiosidade, tão distantes como somos hoje do Barão de Mauá.
Nos filmes de ficção científica estamos sempre em disputa contra invasores tecnologicamente mais avançados. Apesar disso, a duras penas e heroicamente, vencemos. Coisa de cinema. Não acredite na realidade cinematográfica. Um planeta habitado por seres 100 anos adiantados nos destruiria num piscar de olhos. Nem preciso dizer o que aconteceria se em vez de 100 anos fossem 1000 anos ou mais. Há o risco dos invasores serem lagartos comedores de cérebros com baba grudenta escorrendo do canto da boca. Exalando pestilento chulé.
Fica, portanto a dica. Não perca tempo com baboseiras científicas hollywoodianas que nada de útil ou filosófico apresentam. Se tiver tempo disponível vá ao show da Shakira. Os alienígenas de Hollywood são como índios, alemães e japoneses, perdem todas. Obviamente Hollywood não faz filmes de extraterrestres do Vietnã.
Mudando de pato pra ganso. Onde andará Waldomiro Diniz, valete do Zé Dirceu? sidney borges | comentários(1)
20/10/2010 13:35 Panorama Dilma de fato não tem experiência político-eleitoral, mas tem experiência política e é boa gestora. Por mais crítico que possa ser um opositor de Lula, há que reconhecer que ele separa as coisas. "Cumpanheiros" são colocados em cargos bem remunerados, mas de pouca relevância. Sindicalistas têm comportamento previsível, lembram os pobres de Joãozinho Trinta, adoram luxo.
Dilma é diferente, foi colocada na Casa Civil por ter competência.
Ela não fazia parte da linha de sucessão natural do PT, o que permite mencionar a carreira militar. Podemos dizer que muitos petistas de três estrelas foram carreados para que ela assumisse a condição de candidata. A diferença é que quando um militar não é promovido, pede o boné e vai para casa. No PT os que se sentiam no direito de estar no lugar de Dilma ficaram quietinhos. Alguns, como Mercadante, foram para o sacrifício, cumprindo ordens de cabeça baixa e saindo de cena definitivamente.
Como não é possivel saber o que vai pelas cabeças alheias, podemos supor que Lula imaginou que manteria um pé no governo caso elegesse Dilma. Volto a repetir, o futuro é uma caixinha de surpresas, - essa o Lula gostou - mas Dilma nem tanto.
A partir de janeiro, caso ela seja eleita, começará o dilmismo, movimento que vai cuidar de transformá-la na mãe dos brasileiros e que também cuidará de manter Lula de pijama.
Mas como eu disse, o futuro é incerto.
Como sou cético desde sempre, faço uma promessa aos leitores, são poucos, mas firmes como eram meus cabelos quando eu os tinha, os três ondulados. Pelo panorama das pesquisas Dilma tem grande chance de ser eleita.
Caso assuma e cumpra as ordens do seu criador e em 2014 abdique da candidatura em favor dele, estarei diante de uma revolução comportamental sem precedentes. A maior que o ser humano já viu. Tão radical que jogarei fora livros que tratam da alma humana do período AD (antes da Dilma), tempo de corrupção e vaidade, então obsoletos.
A começar por Machado de Assis. Também irão para o lixo Shakespeare, Dostoievsky, Camus, Sartre e "Homem e Sociedade" de Fernando Henrique Cardoso e Octávio Ianni, que não adentra pela seara psicológica mas é obsoleto e deveria ter sido despachado há muito tempo.
A partir de então direi a meus amigos que o PT não só transformou o Brasil em potência capaz de desafiar os Estados Unidos como também mudou a natureza humana, embora ainda conte em suas hostes com figuras de comportamento dúbio como é o caso de José Dirceu que fala em ajudar os pobres e só anda de jatinho e degusta vinhos caros até para o Papa.
Pra mim esse cara não passa de um tucano infiltrado. Será que ele gosta mesmo de pobres?
No entanto, há uma possibilidade de Lula ser candidato em 2014 mesmo com a vitória de Dilma em 2010. A imprevisibilidade do destino pode colocar Temer na presidência. Aconteceu com Tancredo, pode acontecer novamente.
Será que Lula pensou nisso? sidney borges | comentários(0)
19/10/2010 12:18 Divagações Finalmente saiu a praga que atingiu meu blog qual nuvem de gafanhotos em plantação de trigo. E de joio. Gafanhotos comem joio? Trigo e joio são parecidos, mas são diferentes, como Dilma e Lula, na verdade Dilma é mais abonitada, mas não estou me referindo ao aspecto físico, Dilma e Lula são petistas, como Mercadante, Marta e Marco Maciel. Ôps!
Perdoem o meu engano leitores, o "Mapa do Chile" é democrata, isto é, remanescente da Arena que era antidemocrática pois apoiava o governo militar que se dizia democrático mas era apenas uma ditadura. A Arena já foi o maior partido do ocidente segundo Francelino Pereira - onde andará, se é que ainda anda - mas enfraquecida pelos ventos libertários que varreram do mapa as ditaduras latino-americanas, mudou de roupa, mas manteve os ideais autoritários. sidney borges | comentários(2)
19/08/2010 14:26 Fazenda modelo Precisamos de estradas asfaltadas, escolas em tempo integral, hospitais que atendam a todos, rede ferroviária modernizada, portos eficientes e aeroportos sem congestionamentos. Precisamos criar empregos para os jovens que chegam ao mercado de trabalho.
Foi o que ouvi ontem na televisão enquanto aguardava o jogo da Libertadores. Fiquei empolgado com a disposição dos candidatos, se pudesse votaria em todos, menos naquele que pede para não votar em burguês. Vou votar em quem? Intelectual? Camponês? Depois das eleições o Brasil vai melhorar, se é que dá para melhorar este paraíso onde diamantes afloram nas ruas enquanto rios de leite e mel correm em regatos cercados de flores. Como são bonitas as periferias de nossas cidades!
Tudo graças ao presidente Lula, obviamente. Desde que inventou a roda e expulsou os vendilhões do templo, "Nosso Guia" não perde a oportunidade de praticar gentilezas. Gentil homem. Gentil Lula.
Em Ubatuba há grande expectativa em torno do destino dos edis afastados. Informações chegam de São Paulo dando conta que o desfecho está próximo. Talvez na próxima semana.
Está no ar um plebiscito em torno da reforma agrária. Parece coisa do Chávez. Mas é coisa nossa, como são outras bossas. Algumas bossais.
Há poucas semanas reli o livro de Akio Morita sobre a criação da Sony. Ele fala da reforma agrária do Japão, imposta pelas autoridades americanas de ocupação. A estrutura fundiária teve papel importante no militarismo que levou o Japão à guerra contra os Estados Unidos. Americanos fazendo reforma agrária parece sacrilégio, o tema é propriedade quase exclusiva dos comunistas. Com a reforma em curso os japoneses livraram-se do peso de latifúndias milenares e, pasmem, não caíram nos braços de Moscou. Os novos proprietários das terras tornaram-se pequenos empresários e passaram a lutar por casas melhores, escolas melhores para os filhos, carros, tratores e artigos de consumo supérfluos que fazem a alegria dos burgueses. Pequenos proprietários são conservadores. A reforma agrária do Brasil será um passo definitivo no fortalecimento da democracia.
Em meados da década de 1970 dei aulas em Sorocaba e fiquei amigo de um comerciante da cidade. Petrucho. Gordo e filosófico, parecido com Orson Welles, tinha sempre uma história saborosa para contar, poucas vezes envolvendo pessoas, Petrucho era um cavalheiro, falava de idéias.
Através dele eu soube da história da vodka brasileira, bebida européia que virou moda nos anos 50. Uma grande destilaria trouxe especialistas da Europa, exilados da União Soviética, para começar a produção nacional. A primeira providência foi obter os ingredientes, cereais rigorosamente selecionados da Argentina e do Canadá.
A primeira safra ficou tão boa que os técnicos diziam que não havia nada comparável na Europa. Petrucho perguntou o porquê e ficou sabendo que na União Soviética faziam vodka de batatas. Desde a coletivização forçada da agricultura, nos anos 20, ação que matou mais de 5 milhões de pequenos proprietários, nunca a agricultura soviética conseguiu superar o impacto da estúpidez praticada.
Na Polônia a vodka alternava safras razoáveis, havia matéria-prima, embora a maior parte fosse exportada para a União Soviética para alimentar a população. Em certos anos era preciso recorrer às batatas. No Brasil nunca faltará matéria prima, a reforma agrária dará uma horta a cada sem-terra e todos viveremos felizes para sempre.
E não haverá plebiscito bolivariano capaz de coletivizar nossa agricultura. Também não procede o boato de que teremos estatização de quitandas e barbearias. Ainda bem, meu barbeiro, o Fanta, é dono do próprio nariz. Tenho certeza de que ele não quer ser funcionário público. sidney borges | comentários(0)
26/07/2010 10:24 Corridas e corridas
Vou dar um pitaco fora da minha praia. Não acompanho Fórmula 1. Houve época em que cheguei a gostar desse espetáculo midiático que alguns entendem como esporte. Eu apreciava a habilidade de pilotos como Senna, Prost, Piquet, Emerson e gostava de ouvir os mais velhos tecendo louros aos feitos de Fângio.
Conduzir um carro a mais de trezentos quilômetros por hora não é para qualquer um, requer reflexos, coragem e muita técnica. Ontem, por acaso liguei a televisão e vi um piloto deixar outro passar para fazer jogo de equipe.
Não gostei. Ninguém gostou.
A manobra de bastidores privou o público do duelo que mediria a perícia de dois pilotos regiamente pagos.
Fiquei frustrado a ponto de saber que não vou mais acompanhar Fórmula 1, jogo de cartas marcadas. Se deve prevalecer o carro, sugiro aos decadentes milionários que comandam a farsa que tirem os pilotos e façam um autorama gigante. Vai empolgar tanto quanto a corrida de ontem quando milhões foram feitos de palhaços.
O menino Massa talvez não saiba, mas a história do "jogo de equipe" não colou. Dou um exemplo de como reage a massa tupiniquim.
Na Copa do Mundo de 1954, na Suíça, o Brasil perdeu de goleada da Hungria e foi eliminado. Quatro a dois. Quem viu afirma que foi um jogo digno do talento de Felipe Melo, da medalhinha para baixo valia até tesoura voadora.
Na saída do campo o hungaro Czibor resolveu tirar uma com a cara dos brasileiros. Estendeu a mão para Maurinho, ponta direita do São Paulo que embora cabisbaixo pela derrota, fez jus ao brasileiro cordial de Sérgio Buarque de Holanda e também estendeu a mão.
O gringo tirou a dele e começou a rir.
A diversão durou pouco, um direto no estômago e uma esquerda na fuça espirrou sangue na parede e deu início à batalha campal. O conflito resultou num talho na testa do vice-ministro de Esportes da Hungria, Gustav Sebes e muita dor de cabeça ao delegado suíço de plantão que teve de ouvir os depoimentos dos brigões. Em Húngaro e Português. Ave Maria!
O Brasil não deixou barato, protestou na Fifa contra o complô soviético para levar a Jules Rimet.
Quando os jogadores voltaram foram recebidos como heróis. Até Luís Carlos Prestes, comunista de carteirinha, aplaudiu a bravura nacional. Perder é contingência do futebol, acovardar-se é coisa de fracos.
Depois da corrida de ontem a imagem de Felipe Massa distanciou-se anos-luz de Senna e Piquet. O simpático menino rico perdeu a chance de ser ídolo. Mas não será hostilizado, sempre haverá um sorriso de complacência homenageando seu talento.
Ele que vende pneus tão bem! sidney borges | comentários(0)
17/07/2010 16:56 Chuva pra lá de cacete
Não sei se vocês que me lêem concordam, a chuva está passado dos limites. Daqui a pouco vou radicalizar, jogarei um quilo de sal na rua. No meio da rua, nem um centímetro fora. Dizem que funciona, tentei outras vezes e não vi resultados imediatos, mas quando a chuva parou creditei ao sal. Essa chuva chata que ora cai e molha ossos e medula começa com morte de padre na Argentina. Todo mundo sabe que ao embarcar no bonde Paraíso, religiosos geram ventania. Capuchinhos ventam mais e Bispos, então, nem é bom falar. Tufão é pouco. O ar frio empurrado pelo vento vaticanense chega e logo vai condensando o vapor da atmosfera em meio a nuvens de incenso e mirra. Conclusão: chove. Geralmente chove e pára, em Ubatuba chove e não pára. Putzgrila, pô... sidney borges | comentários(0)
27/06/2010 13:44 A culpa é da FIFA
O Juiz é humano e como tal tem o direito de errar, mas quando o erro é da magnitude do cometido hoje, não há perdão. O auxiliar foi pior, todos que estavam no estádio viram a bola entrar, só o bandeirinha não viu. Impossível não ver. Teria havido má fé? Será que o distinto foi á África do Sul passear? A FIFA precisa agir. Urgente! Com a tecnologia de imagens disponível no século XXI, as arbitragens futebolísticas ainda usam métodos do século XIX. O erro absurdo influenciou diretamente no resultado, quem vai indenizar os prejudicados?
A Inglaterra levou dois gols e correu atrás do prejuizo, marcou um e depois outro. No segundo a bola bateu na trave e no chão e, devido ao efeito, voltou ao campo de jogo. Ao tocar o solo o fez meio metro dentro do gol alemão. Gol legítimo, as câmeras do estádio mostraram com clareza. A não validação constituiu um autêntico desrespeito aos atletas e ao público. Quem vai ao estádio e paga ingresso para ver futebol não merece assistir espetáculos deprimentes proporcionados por profissionais despreparados.
Resultado, com a obrigação de fazer gols a Inglaterra foi ao ataque e abriu campo aos contra-ataques da Alemanha. Tivesse o jogo virado com o resultado que a FIFA mudou, a Inglaterra teria adotado uma postura menos suicida e talvez o jogo terminasse de outra forma. A imponderabilidade do futebol perde a graça quando acontece o que vimos hoje. Quem é o culpado? A conservadora FIFA, quem mais? sidney borges | comentários(2)
25/06/2010 13:19 Notícias (frescas) da África do Sul
O jogo chegou ao fim. O Brasil não marcou. Portugal também não. Usando de lógica elementar dá para concluir que o jogo empatou. No Brasil dirão que foi um jogo sem gols. Em Portugal talvez digam que não houve golos. Mas tanto aqui como lá existe unanimidade. Joguinho de quinta categoria. O Brasil não tem meio de campo. A defesa é sólida e bem postada e há bons atacantes lá na frente. Falta fazer a bola chegar a eles, tarefa que exige mais do que vontade, preparo físico e patriotismo. É preciso talento, qualidade que poucos têm. Parece que o único aquinhoado com a benção dos deuses é Kaká, sem ele o Brasil vira caca. Robinho chuta mal e cabeceia mal, mas é talentoso no passe. Fez falta hoje. Falar mais seria ruminar em torno de pouco capim. É o que veremos nas repetitivas e enfadonhas mesas redondas da televisão. (Colaborou a agência Tainha Press) sidney borges | comentários(0)
03/06/2010 14:28 Abastece aí Tutuquinho O século XXI avança para a segunda década e o homem continua queimando ancestrais. Gente vira petróleo. Até o racista mais renitente acaba da cor do azeviche e da jabuticaba. Você nunca imaginou que a gasolina do seu carro possa ser a avó da bisavó da sua tetravó?
Pense nisso.
Com o fim da desigualdade e a adesão da China ao conforto burguês, o consumo de ancestrais fossilizados aumentou. O fim está próximo, em breve não haverá o que pôr no tanque.
Como levar as crianças ao zoológico para dar pipoca aos macacos? Quem sabe a soluçâo seja ficar em casa vendo o Faustão e comendo a pipoca dos macacos.
Os carros, que tanto fascínio exerceram e ainda exercem, estão com os dias contados.
Pelo menos os movidos a gasolina e diesel. Mas não se assuste, o fim do petróleo vai demorar, ainda há no subsolo zilhões de avós para queimar.
Em Nova Iorque ricos finos e chiques torcem o nariz para os carros. Como não há alternativa, alugam limusines e fazem questão de dizer que não possuem veículos poluentes. Metrô e táxi estão na crista da onda.
Pobres copiam ricos, logo vai ser moda não ter carro, embora em cidades brasileiras seja quase impossível. Quando só as elites tinham o privilégio de desfilar em carruagens sem cavalos havia espaço para que passassem reluzentes e velozes, deixando rastros de cobiça nas massas exploradas pelo capitalismo desalmado.
Situação de um passado remoto, o mundo mudou. Banqueiros lulo-socialistas financiam carros em 100 meses, permitindo motorização ampla geral e irrestrita.
E pensar que há 40 anos queriam seqüestrar Delfim Netto. sidney borges | comentários(0)
24/05/2010 12:45 Bombas e bombas A coisa está esquentando na península coreana. Mais do que o trivial. Nunca esfriou desde que a temperatura subiu em 1945, quando russos e americanos dividiram o espólio japonês. Eu gostaria de visitar a Coréia do Norte, a propaganda contra o regime é tão forte que me faz desconfiar.
A mídia não muda a realidade, cria outra e há quem acredite. Onde estão as tais armas de destruição em massa do Iraque? Não existiam, mas mesmo assim o Iraque foi destruído.
Noblesse oblige, Tio Sam teve o cuidado democrático de pedir desculpas. Armas letais não são encontradiças fora dos países que se intitulam responsáveis, sempre armados até os dentes. O jornal britânico, The Guardian, a propósito, acaba de inventar a roda. Descobriu o que até o mundo mineral está careca de saber. Israel tem armas nucleares.
Dizem por aí que houve tentativa de vender a bomba para a África do Sul. What for? Para sustentar o apartheid? Será que os malvados racistas pretendiam bombardear guetos? Coladinhos aos elegantes bairros brancos? Bullshit.
Quanta besteira sai nos jornais britãnicos e nós reproduzimos como eternos colonizados.
Se vamos ou não vamos fazer a bomba não sei, mas que estamos próximos tenho certeza. O ciclo completo do enriquecimento de urânio foi conquistado. Estão anunciando como novidade, mas é coisa antiga.
Se eu fosse espião poderia ter fotografado as instalações de Iperó, em São Paulo. Em 1985 fiz um vôo de planador triangular entre Tatuí, Sorocaba e Tietê. Ou melhor, decolei com essa intenção. A primeira etapa entre Tatuí e Sorocaba foi bem sucedida.
Na segunda perna o tempo mudou, uma cobertura de nuvens "cirrus" espantou as témicas. Fiquei baixo, por volta de 400 metros, pendurado num zerinho por mais de 40 minutos. Antes de retornar a Tatui, a duras penas, sobrevoei as instalações secretas da Marinha, em Iperó.
Deixo claro ao SNI e a quem mais possa interessar que não bisbilhotei os segredos nucleares tupiniquins. Não levava minha poderosa câmera espiã a bordo. Mas até hoje permaneço desconfiado. Aqueles telhados tinham jeitão atômico. Boimate pode? Então telhado suspeito também pode.
Como é desagradável acompanhar o vaivém das pesquisas e as posteriores análises contendo o pulo do gato. O desperdício de tinta e papel vai continuar até a véspera da eleição. Ganhe Dilma, ganhe Serra, nada vai mudar. Isso é bom, o Brasil vai bem, precisa apenas investir no futuro. Educação é o futuro. Como sempre coloco minha posição, deixo claro que vou votar em Serra. Democracia precisa de alternância. sidney borges | comentários(0)
16/05/2010 12:06 Tijolão domingueiro Analistas são seres especializados em colher dados, receber informações e dar aos leitores o panorama visto da ponte. A massa geralmente ingere a pílula sem contestar. Há engasgos. Na semana em que o capitalismo quase foi para a cucuia, se é que não foi e está sobrevivendo inercialmente, um brilhante analista de Economia de poderosa rede de TV teceu loas ao sistema e aos mercados. Afirmou que o liberalismo tinha atingido a maturidade. Crédito ilimitado, casas suntuosas, carros espantosos, mel e maná escorrendo pelas sarjetas. Viva os mercados gritou os olhos esgazeados e baba ecorrendo do canto da boca. Será que a douta figura falava do que não conhecia? Talvez, existe jurisprudência. Um ex-famoso jornalista, atual blogueiro dilmista, assim se colocou em relação ao Plano Real. "Não vai dar certo". Errou nego. O Plano é uma maravilha, sustentou oito anos de FHC e mais oito de Lula. Bombando. Dias depois do "paraíso terrestre em Wall Street" veio o dilúvio acompanhado das sete pragas do Egito e outras milongas mais. Em tempo, o especialista em economia da TV continua fazendo análises. Não acredito em nada do que diz. Embusteiro. O nariz-de-cera serviu para que eu colocasse minha estranheza em relação ao Irã. Israel fez seu programa nuclear em silêncio. Índia, Paquistão e África do Sul também. Argentina e Brasil têm condições de desenvolver armas nucleares, calam, não tocam no assunto, se alguém pergunta disfarçam e saem assoviando. Já o Irã alardeia aos quatro ventos que vai enriquecer urânio a ponto de construir bombas. Nas entrelinhas fica explícita a intenção. A conta não fecha. Tem alguma coisa errada no discurso ameaçador. O que querem os aiatolás. Guerra? Estão a serviço de quem? Das petroleiras? Espero que alguem responda de forma convincente às minhas perguntas, o que tenho lido e visto na televisão não passa de material requentado da web. De baixa qualidade. sidney borges | comentários(0)
13/05/2010 12:10 Fut
Ontem assisti Grêmio e Santos. O Santos jogou como fazia nos tempos em que o futebol era divertido. Isto é, a gente ia ao campo em busca de diversão. Garrincha era divertido. Pelé, Canhoteiro, Zague, Gonçalo, Faustino e Luizinho eram divertidos, ou melhor, divertiam quem pagava ingresso.
Ganso jogou muito ontem. Será que o Seteanão viu? Ganso é diferente, a bola faz reverência quando chega a seus pés. Aporta deformada pelos choques elásticos e sai redondinha, esférica como são as esferas perfeitas, cuja superfície é o lugar geométrico dos pontos situados a uma distância dada do centro.
Ganso é o nome. O futebol é de cisne. Tão bonito como o Cisne Branco da foto acima.
Antes passei pelo Maracanã para ver meu time carioca, o Mengão, urubu listrado de vermelho e negro. Silêncio quase que total. Alguns gatos pingados do país que tem o mapa parecido com Marco Maciel cantavam. Sambinhas chilenos. Deu dó. sidney borges | comentários(0)
10/05/2010 17:13 Ano eleitoral "Dilma rebate declarações de Serra e defende autonomia do Banco Central. Serra afirmou que o Brasil continua com a maior taxa de juros do mundo e destacou que o BC não é a Santa Sé". Com a retranca que dá título ao post a Folha abriu uma matéria com manchete e olho reproduzidos entre aspas.
A esgrima verbal pouca valia tem. Pergunte ao balconista da esquina o que significa Banco Central. Depois peça a ele que faça uma comparação entre o Banco Central e a Santa Sé. Ele talvez diga que o Banco Central fica na Praça da Sé e não tem crucifixo na porta. O tema é técnico demais para o povo.
Nas camadas ilustradas o voto está decidido. Quem escolheu Dilma não vai mudar de idéia. O mesmo vale para os eleitores de Serra.
A massa está indecisa. É atrás dos votos dela que os candidatos têm de correr. Mas é preciso mudar o discurso. Falar a linguagem do povo. Lula sabe.
Aos ricos ele dá o que interessa, dinheiro. Aos pobres, promessas e bolsa-família. Aos militantes, o sonho do paraíso socialista. Pena que no ano que vem a caneta vai mudar de mãos. O "aerolula também". sidney borges | comentários(0)
08/05/2010 12:48 Sábado Massa larga em 9º na Espanha. Não é culpa do carro, Alonso guia um igual e ficou 5 posições à frente. Se os resultados não vierem a Ferrari vai efetivar o espanhol como primeiro piloto e restará a Massa o papel de escudeiro. O que não é de todo mau. Ser coadjuvante privilegiado com milhões de dólares na conta é o sonho de muita gente.
Quando Barrichello começou a carreira na Europa a torcida brasileira ficou dividida entre ele e Christian Fittipaldi. No automobilismo brasileiro a dicotomia entre bom moço e quebrador de parâmetros remonta ao sucesso de Emerson na Fórmula 1. O desvabrador das pistas d'além mar tornou-se príncipe. Cabelos penteados e costeleta. E que costeleta! Pace incorporou o espírito de Interlagos, sempre mais rápido do que Emerson, sempre atrás de Emerson. Anos depois começou a era Piquet, detestado pela mídia brasileira. O sempre "3 doses acima", Tarso de Castro, chegou a afirmar que ele era um europeu nascido no Brasil. O contraponto nasceu com o surgimento de Senna. Rápido, ou melhor rapidíssimo. Senna ganhou corridas e incorporou o bom moço. (casto e familiar) Piquet ficou com as mulheres, os iates, os aviões e a fama de mau. (pecador) Senna morreu, Piquet envelheceu e Barrichello continua em busca do graal, Christian sumiu das pistas, tem sido visto em revistas de decoração. Massa ia bem até que a peça do carro de Rubinho acertou sua cabeça. Tomara que volte a andar na frente. Pelo menos na frente do espanhol.
Tenho interesse em Fórmula 1 apenas na largada e na chegada. A corrida aborrece. Duas horas ouvindo Galvão Bueno reduz o QI. Meu velho amigo Tom foi fazer um documentário em Cuba. Trabalhando como cameraman. Adorou a terra de Fidel, quase ficou por lá, só não ficou por que os cubanos não deixaram. Ele me contou de uma inesquecível palestra de Fidel. Era domingo, a reunião começou às duas da tarde. Ele e a namorada cubana foram prestigiar com bandeirinhas na mão. Por volta das quatro e meia, cansados, fizeram uma pausa na sorveteria Copélia. Depois foram ao apartamento dela namorar. Voltaram à praça por volta das sete e ainda acompanharam Fidel por meia hora. Os interlúdios lúdico-ideológicos do Comandante eram comuns na Ilha. Nesse dia a conversa foi considerada breve. Passo.
O pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, Aloizio Mercadante, fez ontem, sexta-feira, um giro por quatro cidades - Carapicuíba, Itapevi, Jandira e Barueri - ao lado do vereador Netinho de Paula (PC do B), pré-candidato ao Senado. Está escrito assim na Folha, reproduzo e fico imaginando o que vai pela cabeça do senador. Mercadante foi contra o Plano Real. Disse que não ia dar certo. Errou. O plano deu certo. Mercadante é economista. Dificilmente voltará ao Senado. Mercadante e um disco-voador são semelhantes. Tem gente que acredita. Netinho de Paula? Quem é? Comunista? Modernidade é isso.
O último álbum dos Beatles faz aniversário hoje. "Let it be". Quarenta anos. Envelhecer ou não envelhecer, that's the question. Um colega de outros tempos optou por não envelhecer. Lançou-se do 16º andar. Tinha menos de 40 anos. Fiquei chocado. Outros amigos morreram depois. Câncer, aids, enfarte. Alguns envelhecem. Próstata, diabetes, pressão alta, depressão, acidente, assalto, tsunami, vulcão, alcoolismo, terremoto, overdose, alzheimer. Todos os caminhos levam a Roma. (All roads lead to Rome)
Por falar em último, a última canção gravada pelos Beatles (sem John Lennon) foi I Me Mine, de George Harrison, em 3 de Janeiro de 1970. “I Me Mine”, em expressão traduzida quer dizer: “Eu sou mais eu”.
Em 1967/68 estudantes de esquerda tinham vergonha de usar jeans (calças Lee) e não ouviam jazz. Também não ouviam a voz das ruas, não tinham interesse no que o povo pensava. Curioso, diziam querer salvar o povo. A falta de sensibilidade culminou com a luta armada. A ordem era derrubar a ditadura militar e implantar o comunismo, outra ditadura. Sairam para a luta a partir da visão equivocada de que teriam apoio popular. Não tinham. Perderam. Todos queriam o fim da ditadura, questão de sensibilidade. Havia brucutus que apoiavam a ordem obscurantista. Sempre haverá. Saudades daqueles tempos. Eu ouvia Dave Brubeck, Mahalia Jackson, Beatles e usava calças Lee. Mesmo assim tive o desprazer de ser hóspede de Romeu Tuma. Comunismo. Estou fora. Ditadura. Estou fora. Viva a Democracia. sidney borges | comentários(0)
07/05/2010 13:24 Máfias e conexos Leio na folha que Lula vai manter Tuminha no cargo se não aparecer fato novo. O chapéu da matéria, "Máfia Chinesa", cai como uma luva. Alguém abastece livremente a região da Galeria Pagé com produtos "made in China". Não sei se o delegado está metido nisso. Como disse Lula, é preciso investigar. Democraticamente. Uma forma democrática de investigação, usada nos Estados Unidos, é usar a Receita Federal. Como vive o delegado? O padrão de vida coincide com os proventos? Se a resposta for afirmativa a suposta má conduta é pouco provável. No entanto, se na garagem estiverem estacionados Mercedes, BMW, Audi, Jaguar, Land Rover, se a casa for luxuosa, se as viagens forem de primeira classe, se a adega estiver repleta de Romanée-Conti e charutos Cohiba Behike, é preciso saber de onde vem o dinheiro. Tais sinais de riqueza não combinam com salário de delegado. No Brasil não é hábito comparar ganhos e gastos. Políticos não gostam da idéia. O que é bom para os Estados Unidos nem sempre é bom para o Brasil.
O contrabandista de celulares chama-se Li Kwok Kwen. Sabiamente usa apelido. Paulo Li. Kuok Kwen em português parece conversa de pato.
O noticiário político é repetitivo, nada de novo acontece, as notícias aborrecem. Dilma e Serra seguem em campanha, Serra diplomático. Dilma tropeçando no aprendizado. A primeira vez nem sempre é fácil, ela é inteligente e vai acabar apreendendo. Não sei se a tempo. Nas camadas melhor aquinhoadas, o andar de cima de Elio Gaspari, a decisão de voto está consolidada. No atacado a coisa permanece indefinida. Ganhe Dilma ou Serra, um fato é certo. Em 2011 Lula não terá a caneta nas mãos. Só então ele vai se dar conta do que é perder o poder. As metáforas futebolísticas não serão mais aplaudidas e os erros gramaticais provocarão caras de desaprovação. Quem tem idade para tanto lembra-se dos tempos de Fernando Collor de Mello. Nas noites de domingo a Globo nos empurrava goela abaixo as corridas do presidente. E as camisetas com frases de efeito. O poder da caneta é maior do que se imagina. Collor influenciou até o gosto musical do brasileiro. O presidente gosta de sertanejos, então tome sertanejos. E os sertanejos encheram os bornais de ouro. Hoje o senador Collor veste Armani, mas se aparecer com uma camiseta engraçadinha ninguém vai aplaudir. Talvez um mais exaltado pergunte:
- Esse cara é bobo?
Está longe de ser bobo, mas não sai mais na Rede Globo.
O São Paulo vai ter duas partidas difíceis pela frente. No domingo joga no Maracanã contra o Flamengo pelo Campeonato Brasileiro. Durante a semana será a vez do Cruzeiro, no Mineirão, pela Libertadores. No ano passado deu Cruzeiro. Competições no estilo mata-mata são emocionantes, mas exprimem apenas o momento. Copas do Mundo perderiam a graça se tivessem pontos corridos. O Brasil teria mais dois ou três títulos e seria absoluto. Isto é, mais absoluto, pois absoluto já é. Argentinos e espanhóis enrubescem quando ouvem isso. Argentinos até que com alguma razão, ganharam duas copas. Espanhóis são falastrões, mas nunca levantaram o caneco. A Fifa vira e mexe coloca a Espanha em primeiro no ranking. Ora a Fifa, como levá-la a sério? sidney borges | comentários(0)